
Alta nos aluguéis e déficit de imóveis ampliam crise habitacional na Espanha
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O despejo temporário da aposentada Maricarmen Abascal, de 87 anos, em Madri, gerou uma onda de protestos por toda a Espanha e reabriu o debate sobre a grave crise habitacional enfrentada pelo país. As manifestações ganharam força após o Parlamento rejeitar uma legislação governamental de emergência destinada a ampliar a proteção aos inquilinos.
Descompasso entre salários e preço dos imóveis
De acordo com a Fundação FOESSA, uma em cada quatro famílias espanholas enfrenta problemas para manter ou conseguir uma residência. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) revelam ainda que 47,3% dos jovens entre 26 e 34 anos continuam morando com os pais devido aos altos custos. Desde 2015, os preços de venda e locação de imóveis subiram 80%, frente a uma alta salarial de apenas 30% no mesmo período.
Déficit histórico e impacto do turismo no setor
Especialistas apontam que a origem do déficit habitacional remonta ao colapso da bolha imobiliária provocado pela crise global de 2008, que dizimou grande parte do setor de construção civil. Entre 1997 e 2008, o país construiu cinco milhões de casas, mas a produção caiu de quase 14 para duas residências a cada mil habitantes, segundo o economista José García Montalvo. Atualmente, a Espanha ergue cerca de 90 mil moradias por ano, enquanto 250 mil lares líquidos são criados anualmente, elevando o déficit atual para 750 mil unidades, com projeção de superar um milhão em dois anos pelo Banco da Espanha.
Medidas governamentais e pressão popular
A escassez de oferta é agravada pela destinação de imóveis residenciais ao mercado turístico de temporada. O país recebeu 96,8 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, o que reduz o estoque disponível e encarece os contratos urbanos. Embora o INE contabilize 3,8 milhões de casas vazias, a maioria se localiza em municípios despovoados e sem oferta de empregos.
Diante da pressão popular, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou um pacote de medidas paliativas, que inclui a suspensão de determinados despejos até 2030 e a prorrogação compulsória de alguns contratos de aluguel.
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Crédito da apuração original: G1
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