
Aquecimento no Ceará acelera erosão em quase metade da faixa litorânea do estado
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Resumo Rapidim · 17% do texto original
A temperatura média no Ceará registrou um aumento de 1,8 °C nos últimos 63 anos, índice superior à média global. O aquecimento acelerado intensificou os impactos das mudanças climáticas no estado, provocando processos de erosão costeira em cerca de 47% do litoral cearense. Os dados foram apresentados pelo professor Marcelo Soares, do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará, em entrevista ao videocast Fique por Dentro, do g1.
Impactos do El Niño e riscos de estiagem no estado
O pesquisador alertou para uma probabilidade de 83% de ocorrência de um Super El Niño, fenômeno que pode potencializar ondas de calor e agravar períodos de estiagem no Nordeste. Embora os reservatórios cearenses apresentem atualmente cerca de 52% da capacidade de armazenamento — cenário mais estável do que os 7% registrados na seca de 2015 e 2016 —, o aquecimento do Oceano Atlântico também eleva o risco de temporais concentrados e inundações pontuais.
Ilhas de calor e consequências para a saúde pública
O calor excessivo afeta diretamente a saúde pública, elevando os riscos de desidratação, insolação e complicações cardiovasculares, além de favorecer a proliferação de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. Nas cidades, a escassez de vegetação e o excesso de asfalto geram ilhas de calor com temperaturas até 4 °C superiores. No interior, áreas do Sertão Central e dos Inhamuns enfrentam maior vulnerabilidade à desertificação, já que 90% do território estadual está no semiárido.
Avanço do mar e vulnerabilidade na faixa litorânea
No litoral, a elevação do nível do mar e a ocupação irregular de dunas ameaçam a infraestrutura urbana e o turismo em pontos como Icapuí, Icaraí, Jericoacoara e Fortaleza. Além do avanço sobre construções, o fenômeno provoca a salinização de poços de água doce no subsolo costeiro. Obras de contenção na capital, como espigões e aterros, também alteraram a dinâmica das correntes marítimas vizinhas.
Medidas urgentes de adaptação urbana e mitigação
Os efeitos extremos atingem com maior intensidade as populações socioeconomicamente vulneráveis. Para conter o cenário, Soares defende ações de mitigação, como o controle de emissões de poluentes, e medidas urgentes de adaptação urbana, incluindo ampliação de áreas arborizadas, pisos permeáveis e reservatórios de água pluvial.
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Crédito da apuração original: G1
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