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Armas registradas para caçadores e atiradores abasteceram facções em 21 estados

Armas registradas para caçadores e atiradores abasteceram facções em 21 estados

G1há 2 d
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Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Sou da Paz identificou 92 casos de envolvimento de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) com facções criminosas e milícias no Brasil entre 2016 e outubro de 2026. As ocorrências mapeadas abrangem 21 estados e atingiram o ápice nos anos de 2023 e 2024, com 19 registros anuais, seguidos por 17 casos em 2025. São Paulo lidera o total de episódios com 18 registros, seguido por Espírito Santo, com 11, e Rio de Janeiro, com 10.

Como funciona o repasse de armas para o crime

Segundo o estudo, a dinâmica opera por dois padrões principais. No primeiro, pessoas habilitadas ou aliciadas adquirem armas e munições legalmente para repassá-las a organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). No segundo, integrantes das próprias quadrilhas obtêm registros de CAC, por vezes com documentos falsos, para estruturar seus arsenais.

Impacto das mudanças na legislação e fiscalização

O consultor sênior da entidade, Bruno Langeani, destacou que o fenômeno registrou ampliação geográfica e diversificação dos grupos envolvidos após a flexibilização nas regras de acesso a armas entre 2019 e 2022. As normas voltaram a ser restringidas a partir de 2023, e o controle da categoria passou a ser de competência da Polícia Federal após anos sob responsabilidade do Exército.

Principais casos e investigações mapeadas

Entre os registros documentados a partir de inquéritos e processos policiais, constam nomes como Levi Adriani Felício, ligado à cúpula do PCC na fronteira com o Paraguai; Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, apontado como liderança do CV em São Paulo; e o miliciano fluminense Luiz Paulo de Lemos Júnior. O levantamento reúne ainda apurações como a Operação Fake Shooter, na Paraíba, e a prisão de Eduardo Bazzana, presidente de um clube de tiro em Americana (SP), suspeito de comercializar armamentos para o crime organizado no Rio de Janeiro.

Assuntos

  • armas de cacs
  • cacs e facções criminosas
  • instituto sou da paz
  • desvio de armas
  • crime organizado
  • pcc e comando vermelho
  • porte de armas
  • fiscalização de armas

Crédito da apuração original: G1

Ler matéria completa em G1

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