
Cadeia da pesca une saberes tradicionais e inovação técnica no Espírito Santo
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A cadeia do pescado no Espírito Santo movimenta a economia estadual ao integrar saberes tradicionais, aquicultura e qualificação técnica. O setor abrange desde comunidades ribeirinhas e pescadores artesanais até produtores rurais vinculados a cooperativas e indústrias de beneficiamento.
Tradição indígena e desafios ambientais no litoral
Na Aldeia Piraquê-Açu, em Aracruz, a pesca artesanal enfrenta os impactos das mudanças ambientais. O cacique Kara'í Perú e a pajé Keretxu Emdey, de 86 anos, mantêm rituais de bênção às águas, mas a comunidade precisou recorrer a tanques e à compra externa de peixes devido às alterações no Rio Piraquê-Açu, associadas pelos moradores aos impactos do desastre de Mariana, ocorrido em 2015.
Organização do setor e qualificação profissional
Para estruturar a cadeia produtiva, o Sindicato dos Pescadores do Espírito Santo (Sindipesca-ES), representado por Rafael Viola, atua conectando pescadores, armadores e comerciantes por meio de ações como o projeto Pesca Mais ES. O sindicato também organiza a Semana do Pescado, evento anual que comercializa cerca de 200 toneladas de produtos e movimenta aproximadamente R$ 7,5 milhões.
Piscicultura e cooperativismo na Região Serrana
A continuidade da atividade conta com o protagonismo de jovens que investem em formação técnica para superar incertezas financeiras. A estudante do oitavo período de Engenharia de Pesca no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Ianca de Oliveira Silva Lima, de 30 anos, administra sua própria peixaria e busca prestar assessoria técnica, legal e regulatória para famílias de pescadores tradicionais.
Na Região Serrana, em Domingos Martins, a piscicultura diversifica a renda da propriedade da família Sassemburg Pereira. O médico-veterinário Frederico Sassemburg aplica seus conhecimentos no cultivo de tilápias em tanques com capacidade para até 10 mil animais cada. A produção atual alcança 20 toneladas anuais, com potencial para 40 toneladas. O manejo é apoiado pela Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), entidade que beneficia cerca de 200 criadores ao fornecer insumos de ração e assegurar a compra final do lote.
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Crédito da apuração original: G1
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