
Dificuldades na saúde pública britânica trazem lições para aprimorar o SUS
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Inspirado no modelo britânico do Serviço Nacional de Saúde (NHS), criado em 1948, o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta dilemas semelhantes aos que atualmente sobrecarregam o sistema público do Reino Unido. Especialistas apontam que restrições prolongadas no orçamento, o envelhecimento da população e a alta incidência de doenças crônicas pressionam ambos os modelos, exigindo soluções para desafogar a rede hospitalar.
Desafios comuns no atendimento e gestão hospitalar
Em resposta à crise, o governo britânico lançou em 2025 um plano decenal focado na digitalização, na prevenção e na transferência de atendimentos para as comunidades. A médica brasileira Ana Luíza Gibertoni Cruz, atuante no Hospital John Radcliffe, em Oxford, destaca o papel das Unidades de Avaliação Aguda (AAU), que atendem entre 1.500 e 1.700 pacientes por mês para evitar internações desnecessárias. No Brasil, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), criadas em 2007, exercem função análoga, embora com modelo de portas abertas.
Desigualdade regional e distribuição de médicos
A desigualdade de acesso também é um desafio comum. De acordo com Walter Cintra, professor de Gestão em Saúde da FGV, o Brasil necessita aprofundar a regionalização para descentralizar serviços especializados. O país se destaca pela Estratégia Saúde da Família, mas sofre com disparidades geográficas: a pesquisa Demografia Médica de 2025 apontou que a região Sudeste tem 3,77 médicos por mil habitantes, frente a 1,70 no Norte.
Retenção e valorização dos profissionais de saúde
No Reino Unido, a carência atinge principalmente os médicos de atenção primária (GPs), essenciais para coordenar os cuidados básicos, segundo Andy Brooks, presidente da Associação Nacional de Cuidados Primários. Além disso, a médica Maitê Gadelha ressalta os problemas de retenção de pessoal: entre março de 2024 e março de 2025, quase 152 mil trabalhadores deixaram o NHS, resultando em cerca de 100 mil postos vagos na Inglaterra. Diante disso, o Reino Unido tem investido no suporte à saúde mental e na redução da sobrecarga das equipes, estratégias que especialistas recomendam como modelo para o fortalecimento do SUS.
Assuntos
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Crédito da apuração original: G1
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