
Ex-chefes da Voepass divergem sobre responsabilidade técnica após queda em Vinhedo
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Resumo Rapidim · 16% do texto original
Depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF), cujo sigilo foi levantado pela Justiça, revelam que ex-diretores da Voepass divergiram e tentaram transferir a responsabilidade sobre a manutenção de aeronaves após o acidente do voo 2283. A queda do modelo ATR 72-500 em Vinhedo (SP), ocorrida em 9 de agosto de 2024, provocou a morte de 62 pessoas, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.
Divergências nos depoimentos de ex-diretores
O ex-diretor de operações Marcel Sarquis Moura declarou que a incumbência técnica cabia ao piloto-chefe Raphael Limongi. Em contrapartida, o ex-diretor de manutenção Carlos Alberto Costa afirmou que a estrutura do setor havia sido transferida para o Centro de Controle de Operações, ficando sob o comando de Marcel. Entre os investigados está Juliano Flores Pacheco, que permanecia na chefia do controle de manutenção mesmo com a licença de mecânico cassada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde 2022.
Omissão de falhas técnicas e alertas de segurança
Apesar das divergências nos depoimentos, a PF concluiu que as normas operacionais da empresa atribuíam a Marcel o dever de assegurar os limites técnicos dos voos. Segundo o delegado André Ribeiro, o ex-diretor de operações tinha conhecimento de problemas anteriores no sistema de degelo da aeronave e não adotou providências para solucionar as falhas.
Indiciamentos e desdobramentos na Justiça Federal
O relatório policial apontou que a tragédia foi consequência de uma gestão que priorizava manter a frota em operação em detrimento da segurança, além de uma consolidada cultura de não reporte de falhas. Depoimentos de funcionários indicaram a existência de orientações da administração para ocultar panes e postergar registros técnicos até que os aviões retornassem à base principal, em Ribeirão Preto (SP).
Ao todo, 12 pessoas viraram rés na Justiça Federal por envolvimento no caso, incluindo o proprietário da companhia, José Luiz Felício Filho, e outros membros da diretoria. Quatro indiciados celebraram acordos de não persecução penal. Em nota, a Voepass afirmou que colabora com o Judiciário e que atua em conformidade com as diretrizes regulatórias do setor.
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Crédito da apuração original: G1
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