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Governo do Panamá volta a isolar presos em parque natural na Ilha de Coiba

Governo do Panamá volta a isolar presos em parque natural na Ilha de Coiba

G1há 2 h
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O governo do Panamá transferiu 29 detentos de alta periculosidade para uma base aeronaval na Ilha de Coiba, no Pacífico panamenho, após a fuga de cerca de 195 presos da penitenciária La Joyita em junho. Posteriormente, outros três detidos, incluindo o ex-prefeito de Colón, Carlos Lee, também foram enviados ao local. O presidente José Raúl Mulino defendeu a medida como uma ação de segurança nacional destinada a enfraquecer o crime organizado no sistema prisional.

Transferência de detentos e preocupação ambiental

A decisão gerou fortes preocupações entre cientistas e líderes ambientais. Coiba abriga o maior parque marinho da América Central, com 270.125 hectares distribuídos por 38 ilhas e ilhotas, sendo reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco desde seu fechamento como presídio. O biólogo marinho Edgardo Díaz Ferguson ressalta que o isolamento manteve o ecossistema praticamente intocado por 12 mil anos, funcionando como um laboratório natural e berçário para a biodiversidade regional.

O passado de Coiba como colônia penal

Antes de se tornar reserva ecológica, a ilha operou por 85 anos como uma colônia penal a céu aberto. Fundada em 1919 pelo presidente Belisario Porras e desativada em 2004, a prisão foi marcada por trabalhos forçados, torturas e ausência de direitos humanos, especialmente durante a ditadura militar de Omar Torrijos e Manuel Noriega.

Incertezas sobre a permanência dos presos

Testemunhos como o de Narciso "Mali Mali" Bastidas, que cumpriu dez anos de detenção e hoje atua como guarda-parque na ilha, ilustram a violência cotidiana e as punições severas aplicadas nos mais de 20 acampamentos existentes na época. O assassinato e decapitação de quatro fugitivos por facções rivais em 1998, aliado aos elevados custos operacionais em alto-mar, acelerou o encerramento das atividades penitenciárias no início dos anos 2000.

O Serviço Aeronaval Nacional mantém o controle e restringe o acesso às ruínas do antigo presídio, enquanto as autoridades panamenhas não informaram se a presença dos novos prisioneiros na ilha terá caráter temporário ou definitivo.

Assuntos

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  • josé raúl mulino
  • patrimônio mundial unesco
  • meio ambiente

Crédito da apuração original: G1

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