
IgNobel 2026: estudo brasileiro é premiado por testar bote de jararaca
Resumo Rapidim · 16% do texto original
Um estudo brasileiro que investigou as circunstâncias que estimulam o bote de jararacas (*Bothrops jararaca*) venceu o prêmio IgNobel 2026 na categoria Biologia, em cerimônia realizada em Zurique, na Suíça. Conduzida pelo biólogo João Miguel Alves-Nunes ao lado dos pesquisadores Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques, a pesquisa analisou o comportamento defensivo dos répteis diante do contato com botas de proteção.
O experimento avaliou 116 serpentes em diferentes fases da vida e constatou que a probabilidade de reação varia conforme a região atingida. O toque próximo à cabeça resultou em 44% de chance de picada, índice que caiu para 20% no meio do corpo e para 11% na cauda. Filhotes recém-nascidos apresentaram propensão a picar 2,17 vezes maior do que espécimes adultos, destacando-se as fêmeas jovens como o grupo mais reativo. A temperatura ambiental também influenciou as respostas: fêmeas mais quentes deram mais botes, enquanto machos aquecidos atacaram com menor frequência durante a noite.
A equipe comparou os dados laboratoriais com estatísticas de acidentes ofídicos no estado de São Paulo. O levantamento apontou que o litoral paulista, onde as jararacas tendem a ser menores, registrou cerca de 500 acidentes por 100 mil habitantes da população rural ao ano, contra 278 casos no planalto. O modelo indicou ainda que cada elevação de 1°C na temperatura média anual esteve ligada a um aumento aproximado de 28% no risco de ocorrências.
Publicado na revista Scientific Reports em maio de 2024, o artigo foi retratado em fevereiro de 2025 devido a divergências sobre a autorização ética emitida pelo Instituto Butantan para o teste com espécimes recém-nascidos e para o método de toque. Alves-Nunes reconheceu falhas de comunicação no processo administrativo com o comitê de ética, mas reiterou que os animais não sofreram sequelas e defendeu a validade e a precisão dos resultados científicos apresentados.
Crédito da apuração original: G1
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