
Mesmo com liberação federal, comunidades do ES rejeitam retorno da pesca na foz
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Onze anos após o rompimento da barragem de Mariana (MG), pescadores e comunidades indígenas do Espírito Santo ainda enfrentam os impactos da contaminação na bacia do Rio Doce e no litoral norte capixaba. Apesar da recente autorização do governo federal para a retomada da pesca profissional na foz do rio, a insegurança quanto à qualidade da água e do pescado mantém trabalhadores afastados da atividade e altera tradições históricas.
Impactos da contaminação nas comunidades e tradições
Na aldeia Piraquê-Açu, em Aracruz, o cacique Kara'í Perú relata que a comunidade indígena deixou de pescar e de consumir peixes locais há mais de dez anos, passando a comprar o alimento de outras regiões. Em Regência, distrito de Linhares, o presidente da associação local de pescadores, Leônidas Carlos, e o ex-pescador José Sabino, de 62 anos, apontam o receio de comercializar produtos impróprios e os prejuízos financeiros e psicológicos provocados pela interrupção forçada do trabalho marítimo.
Estudos apontam metais pesados e anomalias em peixes
Estudos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) continuam a registrar anomalias no ecossistema aquático, incluindo peixes com tumores e deformidades. Além disso, análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou níveis de cádmio acima do limite tolerado em amostras de espécies de água doce, como acará e pacu, contraindicando o consumo humano. Segundo Joca Thomé, coordenador nacional do Centro Tamar/ICMBio, embora os índices de metais pesados tenham recuado ao longo dos anos, oscilações ainda são registradas em períodos de cheias.
Medidas de reparação e investimentos na bacia
Em resposta, a Samarco afirmou que mantém ações contínuas de monitoramento ambiental e que já destinou cerca de R$ 800 milhões a pesquisas científicas desde 2018. A Vale reafirmou o compromisso com os termos de reparação homologados pelo Supremo Tribunal Federal em 2024, enquanto a BHP Billiton não se pronunciou. Por sua vez, a Secretaria de Estado de Recuperação do Rio Doce (SERD) informou que o plano de gestão da pesca prevê investimentos de R$ 2,44 bilhões na bacia, dos quais R$ 450 milhões serão administrados diretamente pelo governo capixaba.
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Crédito da apuração original: G1
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